Mercado financeiro preserva expectativa para crescimento econômico, juros e dólar enquanto revisa índice de preços para baixo.
O mercado financeiro manteve praticamente inalteradas as principais projeções para a economia brasileira em 2026, segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central do Brasil (BC). O levantamento mostra estabilidade na expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), manutenção da previsão para a taxa básica de juros (Selic) e para o dólar, além de uma nova redução na estimativa da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Apesar da queda, a projeção continua acima do teto da meta perseguida pela autoridade monetária.
As estimativas reúnem as expectativas de instituições financeiras e consultorias para os principais indicadores macroeconômicos do país. O cenário desenhado pelo mercado aponta para um crescimento moderado da atividade econômica, juros elevados por um período prolongado e inflação ainda resistente, embora em trajetória de desaceleração.
PIB de 2026 permanece em 1,99%
A mediana das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 permaneceu em 1,99%, repetindo o resultado da semana anterior. Há um mês, a expectativa era de 1,96%, indicando uma leve melhora na percepção do mercado sobre o desempenho da economia no próximo ano.
Se consideradas apenas as 29 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis — consideradas mais sensíveis às mudanças recentes do cenário econômico — a estimativa também permaneceu em 2%, exatamente o mesmo percentual projetado pelo Banco Central no Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre. Para os anos seguintes, o cenário continua de expansão moderada. A expectativa para 2027 recuou de 1,69% para 1,65%, enquanto as projeções para 2028 e 2029 permaneceram estáveis em 2%, mantendo uma longa sequência sem alterações.
Inflação segue acima do teto da meta
O destaque do levantamento foi a segunda queda consecutiva na projeção para o IPCA de 2026. A mediana passou de 5,30% para 5,16%, mas continua acima do limite superior da meta de inflação, fixado em 4,5% dentro do sistema de metas contínuas adotado pelo BCl. Entre as projeções atualizadas mais recentemente, a estimativa também recuou, passando de 5,23% para 5,10%.
Mesmo com a redução, o mercado ainda prevê uma inflação superior ao objetivo estabelecido pela autoridade monetária. Para 2027, houve leve aumento na expectativa, que passou de 4,18% para 4,20%. Já as estimativas para 2028 e 2029 permaneceram em 3,70% e 3,50%, respectivamente.
Regime de metas continua exigindo atenção
Desde 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, cujo centro é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Caso o IPCA acumulado em 12 meses permaneça fora desse intervalo durante seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central não atingiu o objetivo estabelecido para a inflação. Mesmo com a melhora das projeções desta semana, a expectativa do mercado ainda permanece distante da meta oficial, reforçando a necessidade de cautela na condução da política monetária.
Selic permanece projetada em 14%
O Boletim Focus manteve pela terceira semana consecutiva a expectativa de que a taxa Selic encerre 2026 em 14% ao ano. Há um mês, a mediana era de 13,75%, mostrando que o mercado continua apostando em juros elevados por mais tempo. Entre as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, entretanto, houve uma pequena redução, passando de 14% para 13,75%, indicando uma expectativa ligeiramente mais otimista em relação ao ritmo de flexibilização monetária. Para 2027, a projeção permaneceu em 12%, enquanto as expectativas para 2028 e 2029 continuaram em 10,50% e 10%, respectivamente.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual nas três primeiras reuniões de 2026, levando a taxa para 14,25% ao ano. No comunicado divulgado após a reunião de junho, o colegiado ressaltou que o ritmo do atual ciclo de redução continuará condicionado à evolução dos indicadores econômicos e ao comportamento da inflação.
Mercado mantém dólar em R$ 5,20
As projeções para o câmbio também permaneceram praticamente inalteradas. A mediana do Boletim Focus para o dólar ao final de 2026 continuou em R$ 5,20, repetindo o resultado das últimas quatro semanas.
Para os anos seguintes, as expectativas ficaram em R$ 5,28 no fim de 2027, R$ 5,34 em 2028 e R$ 5,40 em 2029. O Banco Central destaca que a projeção anual considera a média esperada da cotação durante o mês de dezembro, e não o valor registrado no último dia útil do ano.
Cenário combina inflação resistente e crescimento moderado
O novo Boletim Focus reforça a percepção de que a economia brasileira deverá continuar enfrentando desafios em 2026. Embora a expectativa para a inflação tenha recuado pela segunda semana consecutiva, o índice permanece acima do teto da meta, enquanto os juros seguem projetados em níveis elevados para garantir a convergência dos preços.
Ao mesmo tempo, o mercado mantém uma expectativa de crescimento econômico moderado, próxima de 2%, e estabilidade nas projeções para o dólar. O conjunto dos indicadores sinaliza que a política monetária continuará sendo conduzida com cautela, acompanhando a evolução da inflação, da atividade econômica e do cenário internacional.
Fonte: Muita Informação

