setembro 2, 2026
Justiça

Mendonça cobra explicações da PGR sobre mensagem de Vorcaro e investigação aponta que Moraes editou contrato de R$ 130 milhões

Ministro do STF deu cinco dias para a PGR explicar mensagem encontrada no celular de Daniel Vorcaro durante investigação sobre o Banco Master.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu esclarecimentos à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre uma mensagem encontrada no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, na qual o empresário menciona a necessidade de proteção de Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF). A anotação foi localizada durante as investigações da operação Compliance Zero.

Mendonça, que é relator das investigações sobre as suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Master, encaminhou o ofício à PGR nesta segunda-feira (31) e estabeleceu prazo de cinco dias para manifestação. Os investigadores não identificaram diretamente o interlocutor da mensagem, mas não descartam a possibilidade de que o conteúdo tenha sido encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, também do STF.

Investigação encontra mensagem de Vorcaro sobre pressão contra o Banco Master

Polícia Federal encontrou a anotação em um dos celulares de Daniel Vorcaro no dia 30 de outubro de 2025. A partir do material apreendido, os investigadores produziram um relatório no qual descrevem o conteúdo das mensagens e o contexto relatado pelo empresário sobre a situação do Banco Master.

Segundo o documento, Vorcaro afirmou ter recebido informações confidenciais de integrantes do Banco Central (BC) sobre uma suposta pressão exercida sobre a instituição para a adoção de medidas contra o banco. Na mensagem, ele identificou a autoridade mencionada pela letra “G”, que, segundo a interpretação apresentada pela PF, seria Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.

O empresário relatou ainda que diretores do BC estariam sob pressão em razão de cobranças atribuídas à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal (MPF). De acordo com o relato, as duas instituições estariam indicando que poderiam tomar providências contra ele.

“O problema agora é que tive informações informais e em confidencia de turma do banco central, que G [que seria o presidente do BC, Gabriel Galípolo, segundo a PF] e os diretores estao na pressao maxima de novo pra uma medida, pois o bacen esta sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farao algo contra mim”, diz a mensagem de Vorcaro.

Na sequência, o empresário menciona diretamente os nomes de Andrei Rodrigues e Paulo Gonet e afirma que buscaria evitar medidas que considerava prejudiciais à sua situação. “É importante reforçar com Andrei [que seria Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF] e Paulo [Gonet, procurador-geral da República] pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco. Estou disponivel pra tratar e explicar qq coisa, so nao pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farao algo em breve.”

Em outro trecho identificado pelos investigadores, Vorcaro questiona a possibilidade de reverter a situação com as duas autoridades citadas.

“Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília”, diz Vorcaro.

Os investigadores apontaram que Vorcaro tinha o hábito de salvar anotações, fazer capturas de tela e encaminhar imagens com visualização única, o que dificultou a identificação do interlocutor.

Mendonça pede manifestação da PGR sobre conteúdo apreendido

O pedido de André Mendonça busca esclarecer as referências feitas por Vorcaro a Paulo Gonet e Andrei Rodrigues. O ministro solicitou que a PGR se manifeste sobre os registros encontrados durante a investigação.

A apuração sobre a mensagem faz parte do conjunto de investigações relacionadas ao Banco Master, que estão sob relatoria de Mendonça no STF. O ofício foi enviado à Procuradoria-Geral da República na segunda-feira (31), com prazo de cinco dias para resposta.

Os registros envolvendo Vorcaro passaram a ser analisados em um momento no qual também vieram a público informações sobre a relação contratual entre o empresário e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Registros apontam alteração em contrato de R$ 130 milhões

Registros digitais e metadados de arquivos obtidos durante as investigações indicam que Alexandre de Moraes participou da edição de um contrato de prestação de serviços advocatícios firmado entre o escritório de sua esposa e Daniel Vorcaro. O documento estabelecia honorários globais de aproximadamente R$ 130 milhões.

As informações foram divulgadas nesta terça-feira (1º) pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela TV Globo. De acordo com a apuração, o documento digital foi enviado por Viviane Barci de Moraes a Vorcaro por meio de aplicativo de mensagens e posteriormente extraído do celular do empresário.

Os metadados do arquivo, identificado como “MINUTA DE CONTRATO”, apontam o nome e o usuário associados a Alexandre de Moraes como responsáveis pela última modificação registrada no documento. A alteração teria ocorrido em 11 de janeiro de 2024, às 16h30, conforme o relatório elaborado pela Polícia Federal.

“O arquivo compartilhado (‘MINUTA DE CONTRATO’) aponta em seus metadados como autor usuário denominado Guilherme Benazzi e a última modificação realizada por usuário denominado ‘Ministro Alexandre de Moraes’, às 16h30 – 03:00 do dia 11/01/2024”, diz o relatório da Polícia Federal.

Guilherme Benazzi é administrador do escritório Barci de Moraes, pertencente à esposa do ministro. Conforme os registros citados na investigação, alguns dias depois da alteração do arquivo, Viviane encaminhou a versão final do contrato para Vorcaro. O instrumento previa a contratação da banca Barci de Moraes Sociedade de Advogados para prestação de serviços de atuação jurídica e consultoria estratégica ao Banco Master.

Escritório afirma que consultou Moraes sobre impedimentos legais

Em nota divulgada após a publicação das informações, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que o setor de compliance da banca procurou Alexandre de Moraes para verificar se havia algum impedimento legal para a contratação.

Segundo o escritório, a consulta ocorreu porque a contratação envolvia um volume de serviços considerado abrangente. A banca afirmou que o ministro foi consultado na condição de marido da sócia-diretora e que a análise buscava identificar eventual impedimento relacionado à atuação de Moraes no STF.

O escritório declarou ainda que verificou a possibilidade de existência de ações sob relatoria do ministro ou julgamentos de interesse do potencial cliente. Segundo a manifestação, não havia previsão de atuação perante o Supremo nem impedimento legal para a contratação.

“Em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao BARCI DE MORAES, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao Ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente. Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados”.


Fonte: Muita Informação

Leave feedback about this

  • Quality
  • Price
  • Service

PROS

+
Add Field

CONS

+
Add Field
Choose Image
Choose Video
X