Durante abertura da Bienal do Livro, governador rebate levantamentos negativos e destaca parceria com o governo federal; petista também comentou vitória de aliado no TCU e fez cobranças a Bruno Reis.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), transformou a abertura da Bienal do Livro, nesta quarta-feira (15) em Salvador, em um palco de reafirmação política e defesa do governo federal. Ao comentar os levantamentos que apontam oscilações na aprovação do presidente Lula (PT), o gestor baiano minimizou os dados negativos, afirmando que trabalha “dia e noite” e que a parceria com Brasília será o motor de uma candidatura imbatível no estado em 2026.
Além de atuar como escudo do presidente, Jerônimo utilizou o espaço para pressionar o prefeito Bruno Reis (União) sobre gargalos na habitação popular e para pacificar a base aliada após a derrota de um conterrâneo na disputa por uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU).
Escudo contra as pesquisas e a estratégia ‘puxa-puxa’
Ao ser confrontado com os índices de desaprovação que têm pautado o debate nacional, Jerônimo Rodrigues adotou uma postura defensiva, mas otimista, sugerindo que a realidade das entregas governamentais acabará se sobrepondo aos números momentâneos. O governador foi enfático ao declarar que acompanha os levantamentos, mas ponderou a precisão de alguns dados:
“Algumas [pesquisas] às vezes saem do tom sobre os resultados apresentados, mas temos trabalhado. Tenho falado com o presidente Lula, cada vez mais ele firme na direção de uma candidatura mais forte”, afirmou o gestor, buscando transmitir estabilidade.
A confiança do governador na força do petismo em solo baiano ficou evidente quando ele detalhou como pretende conduzir a campanha de reeleição presidencial no estado. Jerônimo desenhou uma estratégia de simbiose eleitoral, onde sua liderança regional e o prestígio de Lula se fundem.
“Os resultados da performance dele, das entregas, das mensagens, das bandeiras de luta… então a expectativa nossa é que Lula possa continuar crescendo aqui. E eu, enquanto pré-candidato a governador, tem lugares que puxo Lula e tem lugares que ele vai me puxar”, explicou, reforçando que a Bahia continuará sendo o porto seguro do projeto nacional do PT.
Lealdade partidária acima do regionalismo
Um dos pontos mais sensíveis da coletiva foi a análise sobre a eleição para o Tribunal de Contas da União, onde o deputado baiano Elmar Nascimento foi derrotado pelo mineiro Odair Cunha. Jerônimo precisou equilibrar sua torcida por baianos em Brasília com sua satisfação partidária. Ele ressaltou a importância técnica do cargo, afirmando que o TCU “é um órgão de controle importante do orçamento federal, das contas nacionais”.
Mesmo admitindo que gostaria de ver baianos ocupando tais espaços, Jerônimo celebrou a vitória do colega de partido com diplomacia.
“Desejar ao mineiro sucesso e parabenizar a democracia por conseguir fazer o bom debate e tocar a vida. Essa é a minha expectativa”, frisou o governador. Ao evitar “tomar partido” contra Elmar de forma agressiva, Jerônimo buscou manter um nível de debate qualificado, afirmando esperar que as instituições possam “fazer o que a sociedade baiana e brasileira espera da gente”.
Embate com Bruno Reis e o ‘Minha Casa, Minha Vida’
A temperatura política subiu quando o assunto migrou para a gestão de Salvador. Jerônimo Rodrigues voltou a responsabilizar diretamente o prefeito Bruno Reis pelo atraso na inauguração do residencial Zulmira Barros. O governador utilizou uma retórica de apelo social para pressionar a administração municipal a liberar a documentação necessária.
“Se ele [Bruno Reis] sabe o que é isso [ter dificuldade de pagar aluguel], espero que ele possa adiantar o que puder fazer. Se faltou algum documento, reivindique onde quer que seja, para que a gente possa fazer a entrega logo para as pessoas ficarem felizes”, disparou o petista.
Para Jerônimo, a parceria administrativa entre as esferas de governo não pode ser travada por questões burocráticas ou políticas que prejudiquem a ponta final: o cidadão. Ele reforçou que o debate político precisa ser rico o suficiente para “discutir o Brasil e discutir a Bahia” sem perder de vista as necessidades básicas de habitação que, segundo ele, dependem de uma maior agilidade por parte da prefeitura soteropolitana.
Cultura como identidade e renda
Finalizando sua agenda no Centro de Convenções, o governador buscou suavizar o tom político ao exaltar a Bienal do Livro como um símbolo da resistência e pujança cultural do estado. Jerônimo conectou a literatura diretamente ao desenvolvimento econômico e social.
“A Bienal representa isso: é um espaço onde escritores conseguem expressar seus sentimentos e também um momento de geração de emprego e renda”, destacou.
Ele relembrou a força de nomes históricos e contemporâneos para justificar o investimento no setor, afirmando que o evento “representa cultura, renda e identidade” e que a produção literária local é a maior “oportunidade de levar nossa história e identidade para o mundo”.
Fonte: Muita Informação



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