Consumidores passam a enfrentar aumento nos custos domésticos após alta aplicada pela Refinaria de Mataripe.
Os consumidores baianos começaram o mês de junho enfrentando mais uma alta no preço do gás de cozinha. Desde esta última segunda-feira (1º), passou a valer um reajuste de 9,59% aplicado pela Acelen, empresa responsável pela administração da Refinaria de Mataripe, provocando um novo aumento no valor do botijão de 13 quilos em todo o Estado. A mudança já começou a ser repassada ao mercado pelas distribuidoras e revendedoras, elevando o custo final para as famílias.
Segundo estimativas do setor, o reajuste pode representar uma alta entre R$ 8 e R$ 10 por botijão, ampliando ainda mais a pressão sobre o orçamento doméstico em um item considerado essencial para milhões de brasileiros. O aumento ocorre em um cenário de sucessivas elevações nos preços ao longo de 2026 e reforça a preocupação tanto dos consumidores quanto dos comerciantes, que relatam dificuldades para manter a rentabilidade diante dos custos crescentes da operação.
Reajuste eleva preço médio do botijão em Salvador e RMS
Com a entrada em vigor da nova correção, o preço médio do gás de cozinha em Salvador e nos municípios da Região Metropolitana deve sofrer um impacto imediato. Antes do reajuste, o botijão era comercializado, em média, por cerca de R$ 145. Agora, a expectativa do setor é que os valores passem a variar entre R$ 155 e R$ 158, dependendo da localidade e das condições de entrega.
O aumento representa mais um avanço significativo no custo do produto ao longo dos últimos meses. De acordo com representantes do mercado, quando comparado aos preços praticados em dezembro de 2025, o gás de cozinha acumula uma valorização próxima de 30%, evidenciando a trajetória de alta registrada no período.
Por se tratar de um item indispensável para o preparo de alimentos, o impacto tende a ser sentido rapidamente pelas famílias, especialmente aquelas de menor renda, que destinam parcela significativa do orçamento para despesas básicas.
Histórico de aumentos mostra sequência de altas em 2026
O reajuste anunciado para junho não é um caso isolado. O mercado baiano já vinha registrando aumentos expressivos desde o início do ano. Em 2 de janeiro, o gás de cozinha teve uma elevação de 2,38%, marcando o primeiro reajuste de 2026. Poucos meses depois, em 15 de abril, uma nova correção superior a 15% elevou consideravelmente os preços cobrados ao consumidor.
Com o reajuste de 9,59% agora aplicado em junho, o produto acumula uma sequência de altas que tem provocado preocupação crescente entre consumidores e empresários do setor. A repetição dos aumentos em um intervalo relativamente curto tem dificultado o planejamento financeiro das famílias e aumentado a pressão sobre pequenos comerciantes que dependem da venda do gás como principal atividade econômica.
Revendedores relatam dificuldades para manter rentabilidade
Além dos efeitos para os consumidores, o aumento também afeta diretamente a rede de revendedores espalhada pelo estado. Empresários do setor afirmam que os reajustes sucessivos vêm reduzindo as margens operacionais e tornando cada vez mais difícil manter a atividade economicamente viável. Em alguns pontos de venda da capital baiana, o gás ainda era comercializado por cerca de R$ 130 para retirada no local e R$ 140 com entrega em domicílio antes da nova alta.
Com a mudança aplicada pela refinaria, a expectativa dos comerciantes é que o valor ao consumidor aumente aproximadamente R$ 10 já nos próximos dias. Segundo representantes do segmento, a combinação entre custos mais elevados, concorrência intensa e limitações nas margens de revenda tem gerado preocupação sobre a sustentabilidade financeira de muitos estabelecimentos.
Programa Gás do Povo gera debate entre comerciantes
Outro tema que ganhou destaque após o reajuste envolve o programa federal Gás do Povo, criado para garantir acesso gratuito à recarga de botijões de até 13 quilos para famílias de baixa renda. Embora a iniciativa tenha sido bem recebida por seu caráter social, representantes das revendedoras afirmam que os valores pagos aos comerciantes não acompanharam a escalada recente dos preços do produto. Com isso, muitas empresas relatam que a remuneração recebida pelo fornecimento dos botijões ficou insuficiente para garantir lucro nas operações.
O setor argumenta que a situação se agravou à medida que os reajustes foram sendo aplicados ao longo do ano. Segundo relatos de comerciantes, a margem financeira existente no início do programa praticamente desapareceu após as últimas altas, gerando dúvidas sobre a viabilidade da continuidade da participação de algumas empresas. A preocupação fez com que parte dos revendedores optasse por não aderir ao programa, enquanto outros avaliam a possibilidade de não renovar os contratos quando os atuais períodos de vigência chegarem ao fim.
Fonte: Muita Informação



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