Mercado financeiro também estima crescimento moderado do PIB e dólar em R$ 5,20 no próximo ano.
O mercado financeiro voltou a demonstrar preocupação com a trajetória da inflação brasileira nos próximos anos. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (29), a mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 permaneceu em 5,33%, mantendo-se acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central do Brasil (BC). A estimativa reforça a percepção de que os juros deverão continuar em patamar elevado por um período mais longo, enquanto o crescimento da economia segue moderado e o dólar permanece acima de R$ 5,20 nas projeções para os próximos anos.
O levantamento, elaborado semanalmente pelo BC com instituições financeiras e consultorias, mostra que a inflação projetada para 2026 ficou estável após 15 semanas consecutivas de alta. Ainda assim, o índice continua distante do limite superior da meta de inflação, fixado em 4,5% dentro do sistema de metas contínuas adotado pelo Banco Central a partir de 2025.
Mercado mantém inflação de 2026 acima do teto da meta
Segundo o Boletim Focus, a projeção mediana para o IPCA de 2026 permaneceu em 5,33%. Há um mês, a estimativa era de 5,09%, o que evidencia a deterioração das expectativas inflacionárias ao longo das últimas semanas.
Quando consideradas apenas as 58 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis — consideradas mais sensíveis às mudanças recentes do cenário econômico — a mediana ficou em 5,36%.
Para 2027, a expectativa de inflação subiu de 4,15% para 4,17%. Há um mês, o mercado projetava 4,02%. Já nas estimativas mais recentes, a mediana avançou de 4,18% para 4,20%.
As projeções para os anos seguintes mostram um cenário de desaceleração mais gradual:
- 2028: 3,70% (estável)
- 2029: 3,50% (mantida pela 43ª semana consecutiva)
Mesmo com a expectativa de queda da inflação no horizonte mais longo, o mercado continua projetando índices acima daqueles estimados pelo próprio Banco Central do Brasil (BC). No Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre, divulgado em 25 de junho, a autoridade monetária estimou IPCA de 5,2% em 2026, 3,7% em 2027 e 3,1% em 2028.
Desde 2025, o Brasil opera sob o regime de meta contínua de inflação. O centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Caso o IPCA acumulado em 12 meses permaneça fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central perdeu o alvo inflacionário.
Selic deve permanecer em 14% ao fim de 2026
A persistência das expectativas inflacionárias elevadas também se reflete nas projeções para a taxa básica de juros da economia, a Selic. O Boletim Focus manteve em 14% a mediana para a Selic no fim de 2026. Há um mês, a projeção era de 13,25%, indicando que o mercado passou a esperar juros altos por mais tempo. Nas estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também permaneceu em 14%.
Para 2027, a projeção ficou em 12% ao ano, acima dos 11,25% registrados um mês antes. Se consideradas apenas as projeções mais recentes, a expectativa avançou de 12% para 12,25%.
Copom: corte de juros
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) realizou cortes de 0,25 ponto percentual nas três primeiras reuniões de 2026, levando a Selic para 14,25% ao ano. No comunicado da reunião de junho, divulgado no dia 17, o colegiado destacou que a incerteza do cenário econômico e os riscos para a inflação continuam elevados, afirmando que a magnitude total do atual ciclo de ajuste será definida “à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.
As projeções para os anos seguintes também indicam juros elevados:
- 2028: 10,50% (alta em relação aos 10,25% anteriores)
- 2029: 10,00% (mantida pela oitava semana consecutiva)
PIB de 2026 sobe pela sexta semana seguida
Em meio às preocupações com inflação e juros, o mercado revisou levemente para cima a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026. A mediana das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,98% para 1,99%, registrando a sexta alta semanal consecutiva. Há um mês, a estimativa era de 1,90%.
Entre as projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a expectativa permaneceu em 2%. O número fica praticamente alinhado à projeção do Banco Central do Brasil (BC), que estima crescimento de 2% para 2026 no Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre.
Para os anos seguintes, o cenário é de crescimento moderado:
| Ano | Projeção do PIB |
| 2027 | 1,68% |
| 2028 | 2,00% |
| 2029 | 2,00% |
A projeção para 2027 recuou de 1,70% para 1,68%, enquanto as expectativas para 2028 e 2029 permaneceram estáveis em 2%.
Dólar segue projetado em R$ 5,20 para fim de 2026
O mercado também manteve praticamente inalteradas as projeções para o câmbio nos próximos anos. A mediana do Boletim Focus para o dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20. Um mês antes, a estimativa era de R$ 5,16.
Nas projeções atualizadas recentemente, a mediana avançou de R$ 5,20 para R$ 5,23, sugerindo leve pressão adicional sobre a moeda americana. As expectativas para os anos seguintes ficaram em:
- 2027: R$ 5,28
- 2028: R$ 5,35
- 2029: R$ 5,40
O BC destaca que a projeção anual de câmbio divulgada no Focus corresponde à média esperada para o mês de dezembro de cada ano, e não à cotação do último dia útil do período.
Cenário econômico combina inflação resistente, juros altos e crescimento moderado
Os dados do Boletim Focus reforçam o desafio enfrentado pela política monetária brasileira. A inflação projetada para 2026 continua acima do teto da meta, enquanto a expectativa de juros permanece em patamar elevado, indicando que o processo de redução da Selic tende a ser mais lento do que o esperado anteriormente.
Ao mesmo tempo, o mercado prevê crescimento econômico moderado e um dólar relativamente estável acima de R$ 5,20, cenário que reflete as incertezas internas e externas que seguem influenciando as expectativas para a economia brasileira nos próximos anos. Com inflação ainda pressionada, juros elevados e expansão econômica limitada, o Boletim Focus aponta que o Banco Central deverá continuar atento aos próximos indicadores para definir o ritmo da política monetária e buscar a convergência da inflação para a meta de 3% estabelecida pelo regime de metas contínuas.
Fonte: Muita Informação



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