País contabilizou 2.442.726 registros de nascimentos, uma redução de 5,8% em comparação com 2023; veja números.
O Brasil registrou, em 2024, a maior queda no número de nascimentos em mais de três décadas, segundo os novos dados do Registro Civil, divulgados nesta quarta-feira (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O país contabilizou 2.442.726 registros de nascimentos, uma redução de 5,8% em comparação com 2023 — movimento que não era visto desde o início dos anos 1990. É o sexto ano seguido de recuo da natalidade e, desta vez, a queda superou a registrada em 2020, no auge da pandemia de Covid-19, e a de 2016, quando o surto de Zika afetou o número de gestações.
O movimento nacional se refletiu de maneira ainda mais profunda na Bahia, que registrou em 2024 o menor número de nascimentos dos últimos 50 anos. O Estado contabilizou 159.337 bebês, uma queda de 6,6% em relação a 2023.
O que diz o IBGE
Embora os técnicos do IBGE ainda aguardem a liberação dos microdados do Censo 2022 para detalhar as causas da queda acentuada, o instituto ressalta que o resultado segue tendências já consolidadas:
- redução da fecundidade
- envelhecimento populacional
- queda expressiva da maternidade na adolescência
- adiamento da decisão de ter filhos
Em 2004, mais da metade dos bebês nascia de mães com até 24 anos. Já em 2024, essa proporção caiu para 34,6%. A projeção é que, a partir de 2042, o Brasil comece oficialmente a encolher.
No mesmo período, o país também registrou um aumento de 4,6% no número de mortes — acréscimo de 65.811 registros. A maior parte dos óbitos (90,9%) foi por causas naturais, em linha com o envelhecimento da população.
Bahia tem queda mais intensa que a média do país
O movimento nacional se refletiu de maneira ainda mais profunda na Bahia, que registrou em 2024 o menor número de nascimentos dos últimos 50 anos. O Estado contabilizou 159.337 bebês, uma queda de 6,6% em relação a 2023, quando foram registrados 170.532.
Em números absolutos, a redução baiana — de 11.195 nascimentos — foi a quarta maior do país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A taxa de queda também superou a média nacional e foi a 8ª mais intensa entre os estados, ficando atrás de Acre, Rondônia e Piauí, que tiveram os recuos mais expressivos.
Segundo o IBGE, sete em cada dez municípios baianos registraram diminuição de nascimentos entre 2023 e 2024, o equivalente a 69,8% das cidades. Entre os maiores recuos estão Feira de Santana, com queda de 660 registros; Vitória da Conquista, com 313; e Lauro de Freitas, com redução de 299 nascimentos.
Salvador tem uma das maiores quedas entre capitais brasileiras
Na capital baiana, o cenário é ainda mais crítico. Salvador registrou o sétimo ano consecutivo de queda e contabilizou, em 2024, o menor volume de nascimentos desde o início do levantamento. Foram 23.361 bebês, o que representa uma redução de 9,2% em relação a 2023 — menos 2.357 registros.
O desempenho da capital colocou Salvador entre as três maiores quedas entre as capitais brasileiras, tanto em números absolutos quanto proporcionais. Em volume, só ficou atrás de São Paulo (com recuo de 7.917 nascimentos) e Rio de Janeiro (5.168). Em taxa, teve a terceira maior queda do país, ficando acima apenas de Teresina (-14%) e Boa Vista (-10,7%).
Esse comportamento acompanha a tendência nacional, mas em ritmo significativamente mais acelerado. A combinação entre envelhecimento da população, redução da fecundidade e adiamento da maternidade aparece como a explicação predominante, embora o IBGE ressalte que análises mais detalhadas dependem de dados complementares.
Brasil e Bahia caminham para novo perfil demográfico
O conjunto dos indicadores aponta para uma mudança estrutural no perfil demográfico do país. O Brasil está envelhecendo de forma acelerada, e estados como a Bahia — especialmente sua capital — já sentem de maneira mais intensa os efeitos da redução da natalidade. As consequências incluem mudanças na dinâmica econômica, impacto nos sistemas previdenciários e reorganização de políticas públicas voltadas para educação, saúde e assistência social.
Fonte: Muita Informação



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